Febre amarela faz nova vítima em Lagoinha e acende alerta de vacinação no Litoral Norte
Município do Vale do Paraíba contabiliza quatro mortes pela doença em 2026 e reforça pedido de imunização; Cunha, na divisa com Ubatuba, também registra óbito
O avanço da febre amarela no interior paulista voltou a ligar o sinal amarelo nas cidades caiçaras. Nesta quinta-feira (14), a Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo confirmou mais duas mortes pela doença em Lagoinha, no Vale do Paraíba. Com os novos registros, o município chega a quatro óbitos em 2026.
De acordo com o boletim divulgado pelo Governo de São Paulo, as vítimas são dois homens, de 54 e 64 anos, que não tinham histórico de vacinação contra a doença. A informação reforça o apelo das autoridades sanitárias para que moradores e visitantes do Vale do Paraíba e do Litoral Norte mantenham a caderneta de imunização em dia.
Por que o caso preocupa o Litoral Norte
Lagoinha fica a poucos quilômetros de Cunha, município que faz divisa com Ubatuba e que também registrou uma morte por febre amarela neste ano. A proximidade geográfica e a intensa circulação de pessoas entre a Serra do Mar e o litoral colocam os municípios caiçaras em estado de atenção, sobretudo em áreas rurais, em propriedades próximas a fragmentos de Mata Atlântica e em trilhas frequentadas por turistas.
A febre amarela é transmitida pela picada de mosquitos infectados. No ciclo silvestre, comum em regiões de mata como as que envolvem o Litoral Norte paulista, os macacos não transmitem o vírus para humanos: eles funcionam como sentinelas, ajudando a identificar a circulação do agente nas matas.
Como se prevenir
A vacina, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é apontada como a principal medida de proteção. O esquema recomendado pelo Ministério da Saúde prevê:
- Uma dose aos 9 meses de idade, com reforço aos 4 anos;
- Dose única para pessoas a partir dos 5 anos sem registro de vacinação;
- Avaliação individual em unidade de saúde para pessoas com 60 anos ou mais, especialmente quem mora ou viaja para áreas de risco;
- Procura por orientação com antecedência para quem nunca foi imunizado e pretende se deslocar a regiões com circulação do vírus.
Além da vacina, a Secretaria de Saúde indica medidas complementares para reduzir a exposição ao mosquito: uso de repelente, roupas que cubram braços e pernas, instalação de telas em janelas, mosquiteiros e atenção redobrada em propriedades rurais ou próximas à mata.
Sintomas que exigem atenção
Os sintomas iniciais da febre amarela costumam aparecer de forma repentina e se confundem com os de outras viroses. Entre os mais comuns estão febre, calafrios, dor de cabeça intensa, dores pelo corpo, náuseas, vômitos e fraqueza.
Em casos mais graves, a doença pode causar pele e olhos amarelados (icterícia), urina escura, dor abdominal, sangramentos e insuficiência dos rins e do fígado. Pessoas com esses sinais e que tenham circulado por áreas de risco devem procurar atendimento médico imediatamente.
Onde se vacinar
Moradores das cidades do Litoral Norte podem buscar a vacina nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município. Quem mora em áreas próximas a trilhas, sítios, chácaras ou que recebe turistas com frequência deve verificar com prioridade se está com a imunização atualizada.