O futuro da Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA), instalada em Caraguatatuba, voltou ao centro do debate político local após reunião realizada na última quarta-feira (13) entre a vereadora Cássia do PT e o diretor do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (Sindipetro-LP), Eduardo Lara. O encontro tratou de cenários que podem comprometer a operação da unidade e, por consequência, atingir diretamente a arrecadação municipal.

Considerada uma das principais instalações de processamento de gás natural do país, a UTGCA é responsável por uma parcela relevante das receitas que chegam aos cofres de Caraguatatuba na forma de participações especiais, royalties e tributos. Qualquer alteração no funcionamento da unidade tende a se refletir no orçamento que sustenta serviços essenciais à população, como saúde, educação e infraestrutura.

Preocupação com empregos e arrecadação

Segundo o que foi discutido na reunião, a preocupação não se limita ao volume de recursos repassados ao município. O Sindipetro-LP avalia também os possíveis efeitos sobre os postos de trabalho diretos e indiretos vinculados à operação da unidade, que envolvem trabalhadores próprios e prestadores de serviço que circulam pelo Litoral Norte.

A vereadora Cássia, que integra a base de oposição na Câmara de Caraguatatuba, sinalizou que pretende acompanhar de perto as movimentações em torno da unidade e cobrar transparência sobre eventuais mudanças estratégicas que possam vir a ser anunciadas. O sindicato, por sua vez, vem articulando uma agenda de diálogo com autoridades municipais para que o tema entre na pauta legislativa.

Peso econômico da UTGCA

Inaugurada para processar o gás natural extraído da Bacia de Santos, a UTGCA tornou-se um dos pilares econômicos de Caraguatatuba ao longo da última década. Os repasses associados à atividade ajudam a explicar parte da capacidade de investimento da Prefeitura e fortalecem o ciclo de serviços que orbita o setor de óleo e gás na região.

Diante do peso da unidade na economia local, parlamentares e entidades sindicais defendem que o município se prepare para discutir, com antecedência, alternativas de diversificação econômica e mecanismos de proteção das receitas, evitando que decisões tomadas fora da cidade pesem sobre os moradores.

Próximos passos do diálogo entre Câmara, sindicato e Poder Executivo devem ser definidos nas próximas semanas, conforme avancem as informações sobre o cenário operacional da UTGCA.