Aos 29 anos, a artista visual Aukanaii Barbosa vem ganhando espaço no cenário cultural do Litoral Norte ao transformar a própria história de vida em criação artística. Radicada em Caraguatatuba, ela usa a ilustração digital, a pintura, o muralismo e a tatuagem como ferramentas de pertencimento e de visibilidade para a causa indígena.

Nascida em Mirandiba, no Sertão Central de Pernambuco, Aukanaii carrega a herança de dois povos originários: os Atikum-Umã, pela linha paterna, e os Pankará, pela linha materna. Essa ancestralidade se tornou o eixo central de seu trabalho, no qual a arte funciona como instrumento de resgate cultural e de afirmação de identidade.

Da migração ao primeiro contato com o desenho

A infância no sertão pernambucano foi interrompida quando sua mãe migrou para Caraguatatuba em busca de trabalho. Criada no bairro Jardim Santa Rosa ao lado dos irmãos Hemily e Ítalo, a artista encontrou nas aulas de artes o primeiro refúgio e o gosto pelo desenho, que mais tarde se tornaria sua principal forma de expressão.

Preconceito e o silêncio sobre as origens

A trajetória, no entanto, foi marcada por desafios. Durante a infância e a adolescência, Aukanaii enfrentou bullying e preconceito por sua origem nordestina e indígena, o que a levou a silenciar sobre suas raízes até os 18 anos. Ingressou na faculdade de Artes Visuais aos 17, mas precisou interromper os estudos para trabalhar no comércio e na gastronomia e garantir o próprio sustento.

A maternidade como ponto de virada

O reencontro definitivo com a arte veio com a maternidade solo, aos 25 anos, com o nascimento da filha Maya, hoje com 4 anos. A busca por um futuro melhor para a criança impulsionou a retomada dos projetos artísticos, que passaram a unir memória familiar, herança dos povos originários e a vivência caiçara do Litoral Norte.

Hoje, o trabalho de Aukanaii Barbosa integra o esforço de valorização da cultura indígena na região, ampliando a presença dos povos originários no debate cultural de Caraguatatuba e das cidades vizinhas.