Um dos pratos mais associados à culinária caiçara, o Camarão na Moranga teria surgido em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo, por volta de 1945. A versão sobre a origem da receita foi relatada pelo chef ubatubense Jaur Carpinetti, referência regional no preparo de frutos do mar, e divulgada em coluna do jornalista Salim Burihan no portal Notícias das Praias.

Segundo o relato, a história do prato está ligada ao antigo presídio da Ilha Anchieta, em Ubatuba. No local, presos japoneses ligados ao movimento Shindo Renmei — 172 no total, de acordo com a versão — teriam plantado abóboras tanto para consumo próprio quanto para aproveitar as sementes como vermífugo.

Da ilha para o continente

Com o crescimento da produção, as morangas passaram a ser transportadas em canoas até o continente. Conta-se que uma das abóboras caiu ao mar durante o trajeto e foi parar na praia da Enseada, em Ubatuba. Uma moradora teria encontrado a moranga, cozinhado-a e recheado o legume com camarões — combinação que, segundo a tradição oral, deu origem ao prato hoje conhecido em toda a costa paulista.

A narrativa faz parte da memória gastronômica caiçara e circula como história local, sem documentação histórica que a comprove de forma definitiva. Ainda assim, ela reforça a ligação entre a Ilha Anchieta, hoje parque estadual e destino turístico, e a formação cultural do Litoral Norte.

Patrimônio da culinária caiçara

Presente em restaurantes de Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela, o Camarão na Moranga é um dos símbolos da cozinha litorânea da região e atrai visitantes que buscam a gastronomia local. Histórias como a da sua origem ajudam a valorizar a identidade caiçara e a preservar a memória das comunidades tradicionais do litoral.