Caraguatatuba: erosão já levou mais de 80 m de areia na Mococa
Estudo do Instituto de Pesquisas Ambientais aponta Mococa, Massaguaçu e Martim de Sá como as praias mais vulneráveis da cidade. Prefeitura aderiu a centro da USP que propõe soluções baseadas na natureza
A erosão costeira avança sobre a orla de Caraguatatuba. Levantamentos recentes do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), do governo paulista, apontam as praias da Mococa, do Massaguaçu e da Martim de Sá como as mais vulneráveis do município. No trecho norte da Mococa, a faixa de areia já recuou mais de 80 metros.
No Massaguaçu, onde as ondas chegam com mais força, o problema é considerado crônico e se arrasta há décadas. Os dados embasaram um encontro técnico entre a Prefeitura e pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) para discutir respostas ao avanço do mar.
Ressacas já atingem o comércio
Os efeitos já aparecem no dia a dia de quem trabalha na orla. Na Praia da Mococa, quiosques antigos foram destruídos pelas ressacas, e os comerciantes precisaram recuar para contêineres que podem ser removidos e reposicionados conforme o mar avança.
Centro para Soluções Costeiras
A principal proposta discutida foi a criação do Centro para Soluções Costeiras, iniciativa do Instituto de Oceanografia da USP com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O diretor do instituto, o oceanógrafo Eduardo Siegle, explicou que a ideia é levar o conhecimento científico para a gestão pública e adotar as chamadas soluções baseadas na natureza para recuperar os ecossistemas da costa.
Entre as medidas indicadas estão:
- recuperação da vegetação de restinga;
- conservação dos manguezais, que funcionam como barreira natural contra ressacas e marés altas.
O centro deve funcionar como uma rede virtual que reúne pesquisadores do Brasil e do exterior, com acervo técnico e novos estudos para orientar as políticas dos municípios. A Prefeitura de Caraguatatuba já formalizou a adesão ao projeto, que foi apresentado à Fapesp.
Participaram do encontro o prefeito Mateus Silva; o secretário de Meio Ambiente, Auracy Mansano; a secretária adjunta de Urbanismo, Valéria Cardozo; o secretário adjunto de Serviços Públicos, Wilber Cardozo; e o vice-presidente da Associação Caraguatás Ambiental, Roque Alves Pereira.
Duplicação da SP-55 no Massaguaçu
Os especialistas também defenderam a revisão do projeto de duplicação da Rodovia SP-55 no trecho do Massaguaçu, que passa por licenciamento ambiental na Cetesb. O projeto prevê quiosques na faixa de areia e passagens subterrâneas para pedestres. Segundo os pesquisadores, essas estruturas não são compatíveis com a dinâmica atual das marés na praia.
A data do encontro técnico não foi informada.