Caraguatatuba sediou, na última quarta-feira (25), uma ampla discussão sobre o futuro econômico da região costeira paulista. A Mesa de Diálogo sobre Economias Criativas e Sustentáveis (ECS) reuniu, das 9h às 17h, representantes do poder público, comunidades tradicionais, pesquisadores e entidades ligadas ao desenvolvimento econômico no Parque Natural Municipal do Juqueriquerê, no bairro de Porto Novo.

O encontro colocou em debate o papel das atividades criativas — cultura, artesanato, gastronomia e inovação — como vetores de geração de renda e emprego sem comprometer a preservação ambiental. A discussão também avaliou como essas iniciativas podem dialogar com setores já consolidados na região, como turismo, petróleo e gás, operações portuárias e logística rodoviária.

Manhã: saberes tradicionais e experiências locais

A programação matinal foi dedicada às experiências do próprio território. Participantes trouxeram relatos e propostas sobre turismo de base comunitária, artesanato caiçara, maricultura e iniciativas desenvolvidas em municípios vizinhos como Ilhabela, Ubatuba e São Sebastião. A Associação de Pescadores e Maricultores da Praia da Cocanha também marcou presença, representando as comunidades que vivem diretamente da economia do mar.

Tarde: políticas públicas e novos modelos de negócio

No período da tarde, o foco voltou-se para as políticas públicas e as cadeias produtivas da economia criativa. Foram apresentadas propostas relacionadas ao turismo sustentável, apoio ao empreendedorismo local, bioeconomia, rotas gastronômicas e iniciativas de tecnologia da informação alinhadas à chamada Indústria 4.0 — um sinal de que a transformação digital também figura no horizonte do Litoral Norte.

Parte de um plano maior

O evento não foi isolado: integra o processo de Gestão Costeira em curso para a elaboração do Plano de Ação e Gestão do Litoral Norte paulista, instrumento que deverá orientar políticas territoriais e ambientais para toda a faixa costeira da região nas próximas décadas.

A escolha de Caraguatatuba como sede do diálogo reforça o protagonismo do município nas discussões sobre desenvolvimento regional, posicionando a cidade como um espaço de convergência entre tradição caiçara, inovação e sustentabilidade ambiental.