Caraguatatuba: Martim de Sá já perdeu cerca de 80 m de areia
Prefeitura recebeu em 8/10 pesquisadores do Instituto de Oceanografia da USP para discutir um estudo sobre erosão marinha, ocupação desordenada e mudanças climáticas no litoral da cidade.
A Praia Martim de Sá, em Caraguatatuba, já perdeu cerca de 80 metros da sua faixa de areia por causa do avanço do mar. O número foi apresentado em uma reunião sobre a erosão no litoral da cidade, feita na quinta-feira (8/10) no Gabinete do Prefeito, Mateus Silva.
Participaram do encontro representantes da Prefeitura de Caraguatatuba, do Instituto de Oceanografia da Universidade de São Paulo (USP) e da Associação Caraguatás Ambiental (ACA). Na pauta estava um estudo sobre como a erosão marinha, a ocupação desordenada e as mudanças climáticas afetam a dinâmica costeira do município.
Duas décadas de mudanças na orla
Segundo o relato da reunião, os participantes observaram mudanças na paisagem das praias de Caraguatatuba causadas pelo avanço das marés nos últimos 20 anos. O caso da Martim de Sá, uma das praias mais movimentadas da cidade, foi o exemplo mais concreto do problema.
A conclusão apresentada é que as prefeituras do litoral precisam planejar suas obras e políticas de infraestrutura urbana levando em conta o desenvolvimento sustentável e a preservação da forma natural da costa.
Centro para Soluções Costeiras
Para lidar com a pressão da urbanização sobre os ecossistemas costeiros, o Instituto de Oceanografia da USP trabalha na criação do Centro para Soluções Costeiras. O projeto tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), pelo programa Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid).
O diretor do instituto, Eduardo Siegle, especialista em dinâmica costeira, disse que o principal objetivo é levar o conhecimento científico para a prática, com soluções baseadas na natureza. Segundo ele, a ideia é estimular a recuperação natural do ambiente diante de problemas como a erosão costeira e a poluição.
“Contamos com o apoio dos municípios que serão os usuários finais dos trabalhos desenvolvidos pelo Centro para Soluções Costeiras”, afirmou Siegle.
O que ainda não foi divulgado
O material divulgado não informa se a Prefeitura assinou algum acordo com a USP. Também não traz prazos, valores ou ações previstas para a Martim de Sá ou para outras praias da cidade.