Uma coluna de opinião assinada pelo jornalista Márcio Pannunzio, publicada no portal Nova Imprensa, reacendeu o debate sobre o tratamento dado ao chamado turismo de um dia nas cidades do Litoral Norte paulista. O texto, intitulado "FORA, pobraiada!", classifica como aporofobia — termo que designa o preconceito contra pessoas pobres — a ação integrada de fiscalização articulada pelas secretarias de turismo dos municípios da região.

O que motivou a crítica

Segundo o autor, gestores de turismo de Ilhabela e Caraguatatuba teriam se unido a representantes de Bertioga, Ubatuba e São Sebastião, com adesão do Consórcio Circuito Litoral Norte, para articular uma fiscalização voltada a ônibus, vans e demais veículos que trazem visitantes de bairros periféricos para passar o dia nas praias da região. A coluna sustenta que, embora a iniciativa seja apresentada como uma "ação integrada para o bem comum", funcionaria, na prática, como uma barreira rodoviária com efeito de seleção social.

O argumento da aporofobia

O articulista defende que o visitante de um dia, mesmo com orçamento mais restrito, contribui para o comércio local, valoriza o artesanato e produz menos impactos urbanos do que o turista de alto poder aquisitivo, frequentemente associado a congestionamentos e ao consumo intensivo. A partir dessa leitura, sugere que o foco da fiscalização revelaria preferência por um perfil específico de turista, em detrimento de outro.

O texto também faz referência ao conceito de aporofobia, cunhado pela filósofa espanhola Adela Cortina, e argumenta que esse tipo de preconceito deveria ser tratado com a mesma seriedade dispensada ao racismo. A coluna encerra com uma reflexão sobre a desigualdade social no litoral paulista, onde, segundo o autor, convivem realidades econômicas muito distintas no mesmo espaço urbano.

Contexto regional

O turismo é uma das principais atividades econômicas do Litoral Norte de São Paulo, e o equilíbrio entre receber visitantes e organizar o fluxo nas temporadas é tema recorrente nas administrações locais. Ações conjuntas entre os municípios costumam ser justificadas pela necessidade de organizar o trânsito, garantir a segurança e proteger a infraestrutura turística, mas também já foram alvo de questionamentos quanto a seus possíveis efeitos discriminatórios.

Até o momento, as prefeituras envolvidas não se manifestaram publicamente sobre as críticas levantadas pela coluna.