Entre os dias 25 e 28 de junho, Ilhabela viveu uma de suas celebrações mais enraizadas: a Festa de São Pedro, tradição centenária que reúne moradores, visitantes e, sobretudo, a comunidade pesqueira local em torno de rituais de fé e pertencimento cultural.

Ao longo de quatro dias, a programação mesclou quermesse, apresentações musicais ao vivo e cerimônias religiosas que reafirmam o caráter caiçara do município. O ponto alto da festa ocorreu no domingo, 28 de junho, com o cortejo marítimo que partiu do cais após a missa na Igreja Matriz da Vila.

Bênção dos anzóis e a esperança de uma boa temporada

Dezenas de embarcações pesqueiras de Ilhabela e também de São Sebastião tomaram o mar em procissão num gesto simbólico que atravessa gerações. Na cerimônia de bênção dos anzóis, os pescadores expressam seus votos de prosperidade, saúde e proteção para a nova temporada de pesca que se aproxima — um rito que une o sagrado à lida cotidiana do homem do mar.

A participação de barcos vindos de São Sebastião ilustra como essa tradição transcende os limites municipais e se consolida como patrimônio cultural de todo o Litoral Norte paulista.

Caldo de camarão e memória afetiva

Após o cortejo, pescadores e convidados se reuniram no Centro de Apoio aos Pescadores Artesanais, na Praia de Santa Tereza, onde foi servido o tradicional caldo de camarão. Mais do que um alimento, o prato carrega o peso da memória coletiva: é uma receita passada de geração em geração dentro das famílias pescadoras, símbolo vivo da culinária caiçara que resiste ao tempo.

A Festa de São Pedro em Ilhabela não é apenas uma data no calendário religioso — é um reencontro anual da comunidade com suas origens, uma afirmação de identidade num município cujas raízes estão fundadas na relação íntima entre as pessoas e o mar.