Uma das expressões mais tradicionais da cultura caiçara de Ubatuba voltou às ruas no fim de semana. Nos dias 4 e 5 de julho, cortejos da Folia do Divino Espírito Santo percorreram comunidades das regiões norte e sul do município, mantendo viva uma tradição de séculos por meio da música, da oração e da participação das famílias.

Os grupos passaram de casa em casa levando a bandeira do Divino, símbolo que representa fé, esperança e acolhimento. Ao longo do trajeto, a cantoria e os encontros de reza reforçaram os laços entre moradores e reafirmaram um costume que atravessa gerações no litoral norte de São Paulo.

Dois grupos e vários bairros visitados

A programação foi conduzida por dois grupos principais, liderados por Mestre Pedrinho e Péola Maria. Os cortejos visitaram bairros como Fortaleza, Ressaca, Jardim Carolina, Jardim Samambaia, Marafunda, Figueira, Ipiranguinha e Caçandoca, alcançando comunidades das duas regiões da cidade.

A simbologia da folia inclui a imagem da pomba branca, associada à paz e à pureza, além de raios de luz e chamas de fogo que remetem à descida do Espírito Santo. Ao serem recebidas, as famílias acolhem a bandeira como gesto de fé e hospitalidade.

Preservação da identidade caiçara

Para a Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba (Fundart), o trabalho dos mestres foliões é essencial para preservar a identidade e o patrimônio imaterial caiçara e transmiti-lo às próximas gerações. A entidade reconheceu o empenho das lideranças na condução da tradição.

A passagem da folia pelas comunidades antecede a etapa mais conhecida da celebração: a 160ª Festa do Divino Espírito Santo, que ocupa a Praça da Matriz de 9 a 19 de julho, com missas, fandango caiçara e programação cultural aberta ao público.