Qualidade da água nas praias entra em foco em fórum regional com reflexos para o Litoral Norte
Encontro na Baixada Santista reúne autoridades e especialistas para debater saneamento básico e os riscos à saúde de banhistas em contato com água contaminada
A qualidade da água nas praias do litoral paulista voltou ao centro do debate nesta semana com a realização de um fórum dedicado ao tema da balneabilidade na Baixada Santista. O evento reuniu autoridades públicas e pesquisadores para discutir os impactos do saneamento básico insuficiente e as estratégias necessárias para prevenir surtos de doenças associados ao contato com águas contaminadas.
A discussão vai além das fronteiras da Baixada Santista. Municípios do Litoral Norte paulista, como São Sebastião, Caraguatatuba, Ilhabela e Ubatuba, compartilham desafios semelhantes no que diz respeito ao monitoramento da balneabilidade, especialmente nos períodos de alta temporada, quando o fluxo de turistas intensifica a pressão sobre a infraestrutura de saneamento.
O que é balneabilidade e por que importa
A balneabilidade é a medida da aptidão de uma praia para banho, determinada pela concentração de bactérias e outros indicadores de poluição fecal na água. Praias classificadas como impróprias representam risco concreto à saúde dos banhistas, podendo causar desde gastroenterites até infecções de pele e vias respiratórias.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) realiza monitoramento periódico das praias paulistas e publica boletins semanais de balneabilidade. No entanto, especialistas alertam que a frequência das coletas pode ser insuficiente para capturar variações rápidas na qualidade da água, sobretudo após episódios de chuva intensa — fenômeno cada vez mais frequente na faixa costeira.
Saneamento como eixo central
O fórum apontou o saneamento básico como o principal vetor de contaminação das praias. Ligações clandestinas de esgoto, redes pluviais sobrecarregadas e a ausência de tratamento adequado em regiões de expansão urbana desordenada figuram entre os problemas mais recorrentes identificados pelos especialistas presentes no evento.
No Litoral Norte, o crescimento acelerado de loteamentos e condomínios em áreas antes rurais ou de mata atlântica coloca pressão adicional sobre sistemas de esgoto que, em muitos casos, ainda não foram adequados à nova realidade demográfica. A questão é especialmente sensível em comunidades periféricas e em bairros de ocupação mais recente, onde a cobertura da rede coletora de esgoto ainda é parcial.
Saúde pública em jogo
Os surtos de doenças de veiculação hídrica têm impacto direto nos serviços de saúde municipais. Atendimentos em unidades básicas e pronto-socorros aumentam nos períodos em que as praias registram piora na balneabilidade, sobrecarregando equipes e recursos. Além disso, a imagem negativa associada a praias impróprias afeta o turismo, setor estratégico para a economia de toda a costa paulista.
Para os moradores do Litoral Norte, acompanhar os boletins de balneabilidade divulgados pela Cetesb é uma medida simples e eficaz de proteção à saúde. As informações são atualizadas regularmente e estão disponíveis no site da agência ambiental estadual.