GAECO prende investigador em Maresias na Operação Merx
Ex-secretário-adjunto de Segurança Urbana de São Sebastião é um dos alvos de ação contra corrupção e lavagem de dinheiro na Polícia Civil
Um investigador da Polícia Civil de São Paulo foi preso na manhã desta sexta-feira (28/8), em sua casa na praia de Maresias, na Costa Sul de São Sebastião, durante a Operação Merx, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) em conjunto com a Corregedoria da Polícia Civil. A ação mira supostos atos de corrupção e lavagem de dinheiro praticados por agentes da Grande São Paulo.
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), o alvo no Litoral Norte é o investigador Marcos Vinícius de Souza Melo, que, de acordo com a apuração, ocupou por cerca de dois meses o cargo de secretário-adjunto de Segurança Urbana da Prefeitura de São Sebastião. Com salário de pouco mais de R$ 8 mil, ele teria participação em empresas e acumularia bens considerados incompatíveis com sua remuneração.
Como funcionava o esquema, segundo o MP
De acordo com o que foi apurado pelo MPSP, policiais civis do Estado solicitavam vantagens indevidas equivalentes a cerca de 70% do valor das mercadorias para não apreender integralmente ou para restituir parcialmente cargas de aparelhos eletrônicos oriundas de descaminho. Os valores exigidos somariam aproximadamente R$ 2,35 milhões.
Prisões e medidas judiciais
A operação cumpre decisão da Vara Regional das Garantias de Osasco, que decretou a prisão preventiva de sete investigados e determinou buscas e apreensões, quebra de sigilo telemático e bloqueio de bens. Ao todo, quatro policiais civis tiveram a prisão preventiva decretada: Marcos Vinícius de Souza Melo, Bruno dos Santos, José Adriano Pereira da Silva Nishi e Vagner Ramalho. Também foram alvos o advogado Sidiclei da Costa Almeida e duas pessoas apontadas como responsáveis pelo pagamento das vantagens indevidas aos agentes públicos.
Um investigador foi afastado da função pública e proibido de manter contato com investigados e testemunhas. A Justiça ainda determinou o sequestro e o bloqueio de bens no valor total de até R$ 4 milhões. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços nos estados de São Paulo, Paraná e Goiás, além de unidades policiais.
Até a publicação, não havia manifestação da defesa dos investigados. Todos respondem ao processo, e as prisões preventivas não representam condenação.