Uma mensagem simples, um suposto convite de aniversário e a orientação para falar com um desconhecido. Foi assim que uma professora de 57 anos perdeu R$ 19.998 em um golpe aplicado pela internet em Bananal, no Vale do Paraíba. O caso, registrado pela Polícia Civil como estelionato, serve de alerta também para moradores do Litoral Norte paulista, onde fraudes digitais com abordagens personalizadas vêm se tornando cada vez mais comuns.

Segundo o relato à polícia, a vítima recebeu uma mensagem atribuída a um suposto "professor Fernando", que pedia que ela aceitasse um convite para uma festa de aniversário. Para receber o convite, a mulher foi instruída a entrar em contato com uma pessoa identificada apenas como Gabriel. A partir desse contato, começaram as movimentações na conta bancária dela.

Duas transferências de R$ 9.999 em dois dias

De acordo com o boletim de ocorrência, as retiradas saíram da conta da professora, mantida no Bradesco, em valores idênticos e em datas próximas:

  • 25 de maio: R$ 9.999, por TED, para uma conta em nome de um homem;
  • 26 de maio: R$ 9.999, para uma conta em nome de uma mulher;
  • Prejuízo total relatado: R$ 19.998.

O registro policial não esclarece se as transferências foram feitas pela própria vítima, induzida pelos criminosos, ou se ocorreram remotamente. Ao perceber a movimentação, a professora acionou o banco para bloquear a conta e, em seguida, procurou a Delegacia de Bananal. O caso foi lavrado como autoria desconhecida — ou seja, até o registro, a polícia ainda não havia identificado os responsáveis.

Por que esse tipo de golpe engana

O episódio chama atenção justamente por não seguir o roteiro mais conhecido das fraudes, que costuma envolver promessa de prêmio, compra falsa ou boleto adulterado. Aqui, a isca foi um convite social, capaz de explorar confiança, pressa e familiaridade. Ao usar nomes de pessoas reais e situações cotidianas, o criminoso reduz a desconfiança da vítima e a conduz, passo a passo, a seguir orientações que terminam em prejuízo financeiro.

Mensagens cada vez mais personalizadas substituem os textos genéricos: os golpistas simulam conversas comuns, se passam por conhecidos e usam nomes verdadeiros para ganhar credibilidade.

Cuidados que valem também para a região caiçara

Embora o caso tenha ocorrido no Vale do Paraíba, o mesmo tipo de abordagem circula entre moradores do Litoral Norte. Algumas recomendações ajudam a reduzir o risco:

  • Desconfie de convites ou pedidos que exijam contato imediato com terceiros desconhecidos;
  • Confirme por outro canal — ligação ou conversa pessoal — qualquer mensagem que envolva dinheiro ou dados bancários;
  • Nunca compartilhe códigos, senhas ou autorizações recebidas por aplicativos;
  • Ao identificar movimentações suspeitas, acione o banco para bloquear a conta e registre boletim de ocorrência na delegacia mais próxima.

A orientação das autoridades é tratar com cautela toda comunicação que combine familiaridade e urgência, mesmo quando parte de um nome conhecido.