As buscas por Dheorge Pereira Bernardino, de 28 anos, desaparecido no mar de Ilhabela após o jet-ski que pilotava afundar, foram prorrogadas por tempo indeterminado pelo Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar). A decisão rompe o protocolo padrão, que previa o encerramento das atividades após um intervalo fixo, e responde tanto ao cenário operacional quanto ao impacto emocional do caso no Litoral Norte paulista.

O reforço da operação veio após o resgate, na semana passada, da passageira Bruna Damaris Sant'anna da Silva, de 26 anos, encontrada viva por pescadores caiçaras depois de cerca de 42 horas à deriva. A sobrevivência da jovem, que recebeu alta do Hospital Municipal de Ilhabela na quinta-feira (28), reacendeu a expectativa da família de Dheorge.

Apelo da mãe a partir do Ceará

Sem condições financeiras de viajar até o Litoral Norte para acompanhar pessoalmente as varreduras, a mãe do jovem, Maria de Fátima Pereira Bernardino, de 49 anos, vem acompanhando a operação à distância, do Ceará, onde mora a família. Em apelo público, pediu que as equipes de salvamento mantenham as buscas pelos próximos dias, lembrando que o trabalho dos bombeiros é hoje a principal esperança de respostas para os parentes.

Como está a operação

Segundo o GBMar, os esforços estão concentrados na região norte do arquipélago, nas imediações da Ponta das Canas, área para onde as correntes marítimas podem ter arrastado o jovem após o naufrágio do jet-ski. O planejamento tático prevê o emprego de:

  • botes de salvamento vindos das guarnições de Caraguatatuba e Ubatuba;
  • varreduras minuciosas no leito aquático e em trechos de encosta de difícil acesso;
  • análise contínua das condições meteorológicas para liberar, ou não, o suporte aéreo;
  • articulação com forças de segurança pública para ampliar o perímetro da operação.

O comando também aguarda confirmação oficial sobre o eventual apoio logístico de tropas e embarcações das Forças Armadas, que pode ampliar a capacidade de varredura em áreas mais afastadas da costa.

O contexto para o Litoral Norte

O caso reacende o debate sobre segurança na navegação recreativa em uma região onde passeios de jet-ski e embarcações de pequeno porte se intensificam entre temporadas, especialmente nos arredores de Ilhabela, São Sebastião, Caraguatatuba e Ubatuba. A operação coordenada entre municípios vizinhos reforça o papel do GBMar como referência regional em buscas marítimas no Litoral Norte paulista.