Corpo de Dheorge é localizado próximo à Ilha dos Búzios e encerra oito dias de buscas em Ilhabela
Bombeiros e Defesa Civil acharam a vítima do naufrágio de jet ski na manhã desta segunda-feira (1º); reconhecimento oficial pela família ainda não foi concluído
O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil localizaram, na manhã desta segunda-feira (1º), o corpo de Dheorge Pereira Bernardino, de 28 anos, em uma área próxima à Ilha dos Búzios, no arquipélago de Ilhabela. A descoberta ocorre oito dias após o naufrágio do jet ski que ele pilotava, em 24 de maio, e marca o desfecho de uma operação que mobilizou equipes do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) por terra, mar e ar.
O reconhecimento oficial pelos familiares ainda não havia sido formalizado até a publicação desta reportagem, mas, segundo as autoridades, as características da vítima coincidem com as do jovem desaparecido. O local em que o corpo foi encontrado fica perto do ponto em que o colete salva-vidas de Dheorge havia sido recuperado na última quarta-feira (27), o que orientou a continuidade das buscas pela região leste do arquipélago.
Como foi o acidente
No dia 24 de maio, Dheorge saiu para um passeio com a colega Bruna Damaris, de 26 anos, quando o jet ski sofreu uma pane mecânica e começou a embarcar água. Sem conseguir manter a embarcação à tona e com a costa ainda visível, os dois decidiram entrar no mar usando coletes salva-vidas para tentar nadar até terra firme. A correnteza, porém, os arrastou rapidamente para o mar aberto, impossibilitando a chegada à praia.
Bruna foi resgatada com vida por pescadores cerca de 42 horas depois, à deriva. Em entrevistas concedidas após o resgate, ela relatou que os dois permaneceram juntos na água do domingo até a madrugada de terça-feira (26), quando se separaram no momento em que ela decidiu nadar em busca de ajuda. A jovem afirmou, em suas redes sociais, que Dheorge esteve com o colete salva-vidas durante todo o período em que estiveram juntos e que não o viu afundar.
Buscas se estenderam por tempo indeterminado
Diante da repercussão e do apelo público feito pela mãe de Dheorge, que mora no Ceará, o GBMar havia ampliado o cerco e estendido a operação por tempo indeterminado, com foco inicial na região da Ponta das Canas. Nos dias seguintes, equipes utilizaram embarcações, drones e mergulhadores para varrer áreas mais distantes do canal de Ilhabela, conforme a corrente marítima deslocava os indícios.
O caso reacende o alerta para a segurança em atividades náuticas no Litoral Norte paulista em um período de aumento expressivo do fluxo de visitantes, sobretudo às vésperas do feriado prolongado de Corpus Christi, e dialoga com as discussões abertas pela Prefeitura de Ilhabela na recente oficina de boas práticas que marcou a abertura da Temporada de Baleias e Golfinhos 2026, voltada justamente a profissionais e moradores que atuam no mar do arquipélago.