O trabalho de foto-identificação de baleias-jubarte realizado no canal de Ilhabela passou a integrar uma pesquisa internacional sobre travessias recordes desses animais entre oceanos. O estudo foi publicado nesta semana pela revista científica britânica Royal Society Open Science e reforça a relevância do Litoral Norte paulista como ponto de monitoramento da espécie no Atlântico Sul.

A foto-identificação é uma técnica não invasiva amplamente utilizada por pesquisadores em todo o mundo: cada baleia-jubarte possui um padrão único na parte inferior da nauda, o que funciona como uma espécie de "impressão digital". A comparação das imagens permite reconhecer indivíduos ao longo dos anos e mapear suas rotas migratórias sem necessidade de captura ou marcação física.

Como o registro de Ilhabela ajuda a ciência

A presença das jubartes na costa de Ilhabela e demais municípios do Litoral Norte vem se intensificando nas últimas temporadas, transformando a região em um corredor estratégico para a observação científica. Quando essas fotografias são compartilhadas em bases internacionais, é possível confirmar que uma baleia avistada no canal de São Sebastião foi registrada também em águas africanas ou em outras áreas do Hemisfério Sul, evidenciando deslocamentos de milhares de quilômetros.

Segundo o artigo da Royal Society Open Science, esses cruzamentos de dados revelaram travessias recordes que ajudam a entender melhor o comportamento migratório da espécie, a conectividade entre populações e os impactos das mudanças climáticas sobre as áreas de alimentação e reprodução.

Conexão com o turismo de natureza no Litoral Norte

O destaque internacional ocorre em um momento em que cidades do Litoral Norte vêm estruturando o turismo marinho com foco na observação responsável de cetáceos. Em Ubatuba, por exemplo, operadores náuticos têm participado de encontros para discutir práticas seguras de aproximação e a sustentabilidade dos passeios — movimento que se conecta diretamente ao tipo de pesquisa que agora ganha repercussão científica.

Para Ilhabela, a inclusão no estudo reforça o papel do arquipélago como laboratório a céu aberto, ao mesmo tempo em que sinaliza a importância de manter protocolos de distanciamento, controle do número de embarcações e capacitação de guias para que o avistamento turístico não comprometa o monitoramento científico nem o bem-estar dos animais.