Laudo confirma inanição como causa da morte de menino de 11 anos em São Paulo e Polícia Civil aprofunda investigação
Secretário de Segurança Pública, Delegado Osvaldo Nico, divulgou a conclusão pericial; pai da criança está preso e novos depoimentos devem ser colhidos nos próximos dias
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Delegado Osvaldo Nico, confirmou nesta sexta-feira (15) que a morte de um menino de 11 anos foi causada por inanição, condição provocada pela ausência extrema e prolongada de alimentação. A informação se baseia em laudo pericial elaborado após o óbito da criança e aponta um quadro severo de desnutrição.
O caso, que provocou forte comoção na capital paulista, segue sob investigação da Polícia Civil. As autoridades trabalham agora para esclarecer as circunstâncias que levaram à morte e identificar possíveis responsáveis pela negligência observada no ambiente familiar.
Pai preso e novos depoimentos
O pai da criança, identificado como Chris Douglas, de 52 anos, está preso. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, familiares e pessoas próximas ao convívio do menino serão ouvidos ao longo das próximas semanas para reconstituir o histórico de cuidados e alimentação da criança nos meses que antecederam o óbito.
O laudo pericial é peça central da apuração. Ao confirmar a inanição como causa imediata da morte, o documento dá sustentação técnica para o avanço do inquérito e para eventuais novas medidas cautelares contra envolvidos, caso a investigação aponte responsabilidade compartilhada.
Repercussão e rede de proteção
Casos de morte por desnutrição em crianças são raros nos centros urbanos e costumam expor falhas em diferentes pontos da rede de proteção, da escola ao conselho tutelar e à atenção básica em saúde. A apuração na capital paulista deve passar pela checagem de eventuais alertas anteriores envolvendo o núcleo familiar do menino.
No Litoral Norte de São Paulo, o caso reacende o debate sobre a articulação entre saúde, educação e assistência social na identificação precoce de situações de risco a crianças e adolescentes. Em municípios como São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba, os conselhos tutelares e os Cras concentram boa parte dos encaminhamentos quando há suspeita de negligência ou maus-tratos.
A Polícia Civil paulista ainda não detalhou o prazo previsto para a conclusão do inquérito.