Porto de São Sebastião: SSB01 projeta 3,45 milhões de toneladas
Movimentação de cerca de 1,44 milhão de toneladas em 2025 e ocupação de 95% no berço 101 alimentam a disputa entre ampliar a operação atual e migrar para um terminal de outra escala
O debate sobre o futuro do Porto de São Sebastião deixou de ser uma escolha entre manter o que existe ou trocar tudo. A questão em discussão é como um ativo público que cresceu nos últimos anos pode migrar para uma infraestrutura de escala muito maior sem que, no intervalo entre um modelo e outro, a cidade e a região perdam competitividade ou sofram descontinuidade econômica.
O que o porto movimenta hoje
Em 2024, o porto movimentou 1,53 milhão de toneladas, volume apresentado como recorde de sua história recente. Em 2025, o total ficou em aproximadamente 1,44 milhão de toneladas. No mesmo ano, a Companhia Docas de São Sebastião registrou receita operacional de cerca de R$ 75 milhões.
O argumento da expansão: ocupação e fila de navios
A administração portuária levou ao debate números da ANTAQ para sustentar que a operação já trabalha perto do próprio limite. Segundo esses dados, o berço 101 movimentou cerca de 1,5 milhão de toneladas com taxa de ocupação de 95% e tempo médio de espera de aproximadamente 102 horas por navio. Na leitura da administração, indicadores nesse patamar apontam para a necessidade de expansão.
A contestação da comunidade portuária
Representantes da comunidade portuária apresentam uma leitura diferente do mesmo cenário. Afirmam já ter aplicado investimentos privados da ordem de R$ 390 milhões na operação e sustentam que a entrada de novos equipamentos poderia acrescentar cerca de 600 mil toneladas de capacidade — ou seja, que ainda existe margem de crescimento dentro do arranjo em funcionamento, sem salto de escala.
A escala projetada do SSB01
O projeto SSB01 responde a esse impasse com uma mudança profunda de dimensão. A projeção prevê área definitiva de aproximadamente 426,9 mil metros quadrados, capacidade de 3,45 milhões de toneladas anuais de granéis sólidos e 1,35 milhão de TEUs em contêineres — patamares muito acima do que o porto movimenta atualmente.
Como o Estado enxerga a instalação
O PLI 2050, planejamento logístico do Estado de São Paulo, classifica o Porto de São Sebastião como instalação "subutilizada" e avalia que o modelo contratual existente não mobilizou investimentos estruturantes na escala considerada necessária. É desse diagnóstico que nasce a pressão por uma transição, e não apenas por ampliações graduais.
Por que isso importa para a cidade
Em análise publicada pelo portal Rota 55, o veículo argumenta que a transição exigirá mais do que obras: passa por concorrência, regime aduaneiro, licenciamento e continuidade econômica durante a mudança. O ponto central levantado é o risco do intervalo — o período em que a operação atual perde tração antes de a nova estrutura entrar em regime.
Para São Sebastião, a definição não é apenas técnica. O porto é o principal equipamento logístico do município, e a decisão sobre escala, modelo de exploração e ritmo da transição desenha por anos o perfil econômico da cidade.
O que ainda não está definido
A publicação não informa cronograma, data de leilão ou licitação, valor de investimento previsto para o SSB01, nem em que instância ou data as posições da administração portuária e da comunidade portuária foram apresentadas. Também não há, no material, definição sobre o destino da operação atual durante a transição.