Reabertura da pesca do camarão exige atenção ao uso de sulfitos e impacta cadeia produtiva do Litoral Norte
Especialistas alertam para o manejo correto do metabissulfito, substância utilizada na conservação do crustáceo, com reflexos para pescadores, comerciantes e consumidores da região
A reabertura da temporada de pesca do camarão recoloca em discussão um tema técnico que afeta diretamente a economia pesqueira do Litoral Norte paulista: o uso de sulfitos na conservação do crustáceo. A substância é amplamente empregada para evitar a melanose, o escurecimento natural que aparece na carapaça do animal após a morte, mas exige cuidados rigorosos em todas as etapas, do barco à banca de venda.
Segundo o Grupo Integrado de Aquicultura e Estudos Ambientais (GIA), compostos como metabissulfito de sódio, bissulfito de sódio e metabissulfito de potássio são autorizados para o setor alimentício e funcionam como uma barreira temporária contra as manchas escuras, especialmente nas primeiras 48 horas de armazenamento em gelo. Após esse período, a proteção começa a diminuir, o que torna o processamento rápido e o congelamento adequado etapas decisivas para a qualidade do produto.
Riscos para o consumidor
O ponto crítico, de acordo com os especialistas, não está na substância em si, mas no uso inadequado. Concentrações acima do recomendado, falhas no processamento e ausência de boas práticas podem transformar o produto em risco à saúde do consumidor. A legislação brasileira estabelece o limite máximo de 100 ppm de dióxido de enxofre residual no camarão, parâmetro que precisa ser observado por toda a cadeia produtiva.
Pessoas sensíveis a sulfitos, especialmente quem tem asma ou alergias respiratórias, podem reagir mal ao consumo de pescados com resíduos acima do limite legal. Por isso, a orientação é comprar o produto em locais regularizados, observar aparência, odor e conservação em gelo ou congelamento e exigir a procedência.
Saúde do trabalhador e meio ambiente
O uso correto também passa pela proteção de quem manipula a substância. Trabalhadores expostos ao metabissulfito devem usar máscara com filtro químico, luvas, óculos, botas e roupas impermeáveis, já que a inalação do produto pode causar danos respiratórios.
Outro alerta é ambiental. O descarte inadequado de resíduos com sulfitos em corpos d'água pode reduzir o oxigênio dissolvido, alterar o pH e prejudicar fauna e flora aquáticas — uma preocupação especialmente relevante em uma região como o Litoral Norte, onde a atividade pesqueira convive com áreas de manguezais, costões e unidades de conservação marinha.
Impacto na economia local
A retomada da pesca do camarão mobiliza pescadores artesanais, peixarias, restaurantes e o turismo gastronômico, setores que respondem por boa parte da renda das comunidades caiçaras. Junto com o movimento econômico, ganha peso o papel da fiscalização sanitária, da orientação técnica aos pescadores e da informação ao consumidor para que a tradição da pesca seja mantida com segurança alimentar.
Para os moradores, a recomendação prática reforça hábitos simples: priorizar fornecedores regularizados, desconfiar de preços muito abaixo do mercado, conferir o estado de conservação do produto e, em caso de dúvida, pedir nota fiscal ou origem da captura.