Capelas tombadas de São Sebastião atraem turistas sem estrutura
Conjunto de 13 templos caiçaras não tem acessibilidade, sinalização nas estradas nem estacionamento; vistoria anual checa apenas a integridade dos prédios
As 13 capelas caiçaras tombadas de São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo, recebem milhares de visitantes por ano, mas seguem sem a infraestrutura básica para acolher esse fluxo turístico. Os templos não contam com medidas de acessibilidade, sinalização nas estradas, estacionamento próximo ou guias capacitados, segundo levantamento do Jornal Voz do Litoral.
A lacuna ficou evidente na vistoria anual mais recente, realizada na terça-feira (25/8) pela Prefeitura, por meio da Fundação Educacional e Cultural Deodato Sant'Anna (Fundass). A inspeção verificou apenas as condições físicas dos imóveis e de seus entornos, sem avaliar acessibilidade, sinalização, formação de guias ou o impacto do turismo sobre as comunidades vizinhas.
Século 17 sem banheiro adaptado
Um dos exemplos mais visitados é a Capela de São Gonçalo, erguida no século 17 no Centro, que não dispõe sequer de banheiros adaptados para pessoas com deficiência. O conjunto tombado inclui ainda a Capela do Bom Jesus, na Enseada (início do século 20), e as capelas de Sant'Ana e da Imaculada Conceição, em Toque-Toque Grande (décadas de 1920 e 1930).
Todos os templos são mantidos pela Fundass desde 1969, ano em que foram tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat), como Patrimônio Histórico e Cultural.
Vistoria limitada por lei
A vistoria anual é prevista pela Lei Municipal nº 943/1994 e se restringe a checar a integridade das edificações e de seus arredores. O escopo definido em lei não abrange a estrutura de recepção aos visitantes nem os efeitos econômicos e sociais do turismo religioso nas comunidades caiçaras do entorno.
Entre os problemas apontados estão a falta de estacionamento nas proximidades dos templos e a ausência de placas indicativas nas estradas que dão acesso a eles, o que dificulta a chegada dos turistas. A Prefeitura não informou se há previsão de investimento em infraestrutura para esses pontos.
As capelas integram o conjunto de referências da cultura caiçara na Costa Sul do município e figuram entre os principais atrativos do turismo religioso e histórico do Litoral Norte paulista.