Cineasta de São Sebastião ganha prêmio de direção na Itália
Zoran Djordjevic, sérvio radicado no Litoral Norte há mais de 20 anos, foi escolhido melhor diretor internacional no Diversamente Film Festival com documentário sobre o pintor Marcos Santos
O cineasta Zoran Djordjevic, nascido na Sérvia e morador de São Sebastião há mais de duas décadas, recebeu o prêmio de Melhor Direção Internacional na primeira edição do Diversamente Film Festival, em Viareggio, na Toscana, na Itália. O prêmio foi para o documentário Autoportret sa Markosom Santosom, lançado no Brasil como Marcos, Força de Vontade. Segundo o site Nova Imprensa, o festival recebeu mais de 3 mil inscrições de vários países.
Um festival sobre inclusão
O Diversamente Film Festival usa o cinema como ferramenta de inclusão e transformação social. A proposta é mostrar a deficiência como forma de expressão artística e humana, e não pelo lado da limitação. O tema tem tudo a ver com o filme premiado.
O pintor que trabalha com o pé esquerdo
O documentário conta a vida e o processo de criação do artista plástico brasileiro Marcos Santos. Ele nasceu com paralisia cerebral e criou uma técnica própria: faz pinturas figurativas e abstratas usando só o pé esquerdo. O diretor acompanha o artista há quase 30 anos, e essa convivência rendeu uma trilogia de filmes.
- Muros da Vida (2021): curta de 15 minutos, eleito Melhor Filme Estrangeiro no Festival Internacional Entr'2 Marches, em Cannes;
- Autorretrato com Marcos Santos (2022/2023): documentário sobre a visão de mundo e a identidade do pintor;
- Marcos, Força de Vontade (2024): longa de 93 minutos. Antes do prêmio na Toscana, já tinha ganhado o Prêmio do Público Georges Lautner no festival Entre Deux Cannes, na França, e prêmios na Índia, em Belarus e na própria Itália.
Obras sobre a memória do Litoral Norte
Djordjevic se formou na FAMU, a escola de cinema de Praga, e ganhou prêmios no Leste Europeu antes de se mudar para o Brasil no fim dos anos 1990. No Litoral Norte e no estado de São Paulo, ele também fez filmes sobre patrimônio cultural e memória regional, como Memórias Caiçaras (2011), Nkisi na Diáspora (2007) e Retratos João Rural (2024).
Com o prêmio, a produção audiovisual feita em São Sebastião ganha destaque em um festival europeu que valoriza a diversidade.