São Sebastião: DIG assume investigação da morte de Berenice
Delegacia de Investigações Gerais reúne provas eletrônicas e depoimentos que, segundo o inquérito, contradizem a versão da principal suspeita no caso da cozinheira desaparecida
A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Sebastião assumiu oficialmente o inquérito que apura o desaparecimento e a morte da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar Farias, de 60 anos. Coordenada pelo delegado Tadeu Ricardo de Castro, com o escrivão Diego Machado Silva, a apuração reúne, segundo a polícia, um conjunto de provas eletrônicas e testemunhais que colocam em dúvida a versão apresentada pela ex-empregadora da vítima, apontada como a principal suspeita do caso.
As contradições no relato da suspeita
De acordo com o inquérito, a suspeita afirmou em depoimento ter pago R$ 2.600 em dinheiro à cozinheira no dia 30 de junho de 2026, por volta das 16h, e sustentou que a teria deixado, com malas, no trevo de Ubatumirim. A empresária admitiu, porém, não ter recibo da transação. Para checar a versão, os investigadores oficiaram a empresa de transporte coletivo da região, que informou não haver registro de embarque em nome de Berenice em nenhum validador.
Rastreamento veicular no centro da apuração
Ainda segundo a investigação, o cruzamento de dados dos sistemas de monitoramento — como a Taxa de Preservação Ambiental (TPA) e o programa Muralha Paulista — apontou que a caminhonete usada pela suspeita passou pelo bairro de Camburi no sentido Rio de Janeiro às 16h39 do dia do desaparecimento e cruzou a divisa com Paraty (RJ) às 17h13, cerca de meia hora depois. O trajeto, de acordo com a polícia, não corresponde ao percurso rumo ao Centro de Ubatuba descrito no depoimento. O inquérito registra também que, após ser ouvida em 2 de julho, a suspeita teria deslocado o veículo para cidades do Vale do Paraíba, o que a apuração interpreta como tentativa de dificultar a perícia.
Depoimentos e novas linhas de investigação
A investigação passou a tratar o caso como possível homicídio após relatos que envolvem um homem apontado como cúmplice, que teria confidenciado a pessoas próximas detalhes sobre o momento do crime. Outra testemunha ligada à família mencionou, em depoimento, ter notado uma marca recente no rosto da suspeita durante uma discussão. As informações, ainda sob apuração, integram o material que a DIG analisa para reconstituir os fatos.
Medidas judiciais em curso
Entre as diligências determinadas estão mandados de busca e apreensão de equipamentos de segurança de um imóvel ligado à investigada e a quebra de sigilo telefônico e telemático. As operadoras foram acionadas para fornecer o mapeamento das Estações Rádio-Base (ERBs), recurso que ajuda a rastrear o deslocamento dos aparelhos celulares da suspeita e da vítima.
Os trabalhos da DIG seguem com foco na localização do corpo de Berenice, na região de divisa entre São Paulo e o Rio de Janeiro, e na formalização do indiciamento dos envolvidos. Até a conclusão do inquérito e eventual denúncia, os citados respondem na condição de investigados e são resguardados pela presunção de inocência.