São Sebastião: exportação de gado vivo pelo porto reacende debate
Coluna de opinião critica embarques de bois vivos com destino à Turquia e relembra tentativa frustrada de proibição na Câmara Municipal
A exportação de gado vivo pelo Porto de São Sebastião voltou ao centro do debate público no Litoral Norte após uma coluna de opinião assinada pelo fotógrafo Márcio Pannunzio, publicada no portal Nova Imprensa. O texto critica a operação de embarque de bois vivos que partem da cidade rumo a mercados estrangeiros, entre eles a Turquia, e questiona os impactos da atividade sobre o bem-estar animal, o meio ambiente e a rotina urbana do município.
A crítica da coluna
No artigo, intitulado "E la nave va" — em referência ao filme de Federico Fellini —, o autor descreve os navios cargueiros que atracam no canal para transportar animais vivos e relata o incômodo causado à população pela passagem das carretas de gado pelas ruas da cidade, com o que chama de rastro de sujeira e mau cheiro. O columnista contrasta essas embarcações com os navios de turismo e sustenta que o transporte submete os animais a longos dias de viagem em condições que considera cruéis.
O precedente do navio Haidar
A coluna também recupera um episódio real usado como alerta: o naufrágio do navio Haidar, que afundou ao deixar o porto de Vila do Conde, no Pará, provocando a morte de milhares de bois e o derramamento de centenas de toneladas de óleo. O autor projeta o cenário de uma tragédia semelhante no Canal de São Sebastião, um dos pontos mais sensíveis do litoral paulista tanto pela biodiversidade marinha quanto pela intensa movimentação portuária e petroleira.
Tentativa de proibição na Câmara
Além do tom de opinião, o texto registra um fato de interesse público: segundo o autor, houve uma tentativa na Câmara Municipal de São Sebastião de encerrar a exportação de gado vivo pelo porto, sem sucesso. A coluna relata a resistência de representantes ligados aos trabalhadores portuários, que teriam apontado o risco de derrubar eventual lei na Justiça e defendido a manutenção da atividade como fonte de emprego e renda para as famílias envolvidas.
Um debate entre economia e meio ambiente
A discussão coloca em lados opostos argumentos econômicos e ambientais. De um lado, a defesa dos postos de trabalho e da movimentação econômica gerada pela operação portuária; de outro, as preocupações com o bem-estar animal, os riscos de acidentes ambientais no canal e os transtornos urbanos apontados por moradores. O tema se soma às demais pautas ambientais recentes de São Sebastião, cidade que tem valorizado a fauna marinha do canal — palco, nos últimos dias, do raro avistamento de uma baleia franca com filhote.