O Museu da Enseada, na Costa Norte de São Sebastião, foi palco na sexta-feira (21) de um encontro entre mestres da cultura caiçara e estudantes da rede municipal, dentro da programação da Jornada do Patrimônio 2026. A atividade reuniu detentores de saberes tradicionais, educadores e alunos em torno da memória e da valorização do patrimônio cultural do município.

A iniciativa contou com o apoio da Prefeitura de São Sebastião, por meio da Fundação Educacional e Cultural "Deodato Sant'Anna" (Fundass), e propôs uma troca de vivências entre gerações — dos guardiões das tradições locais aos jovens que hoje aprendem a reconhecê-las.

Guardiões da cultura caiçara

Estiveram presentes nomes de referência dos saberes tradicionais da cidade, entre eles o poeta Tião Salomão, a pescadora Jandira Peixoto e Angélica Oliveira de Souza, a Peixe do Varal. Também participaram o mestre de capoeira Dominguinhos, o contador de causos Henrique Cardim, o mestre Mário Buia e a erveira Cida Leonardo, além da diretora de Cultura da Fundass, Suelen Júlio.

O encontro deu espaço para que cada um compartilhasse ofícios e histórias que compõem a identidade caiçara — da pesca artesanal à poesia oral, passando pela capoeira e pelo conhecimento das ervas.

Jogo bilíngue criado por estudantes

Durante a atividade, alunos do 9º ano da Escola Municipal Cynthia Cliquet Luciano, da Enseada, apresentaram o jogo bilíngue "Todos os Caminhos Levam ao Mar", ferramenta de educação patrimonial desenvolvida por professores da unidade a partir dos projetos "Janelas da Memória", "Nosso Manguezal" e "Escritores que dão Nome às Ruas da Região".

De forma lúdica, a proposta estimula o reconhecimento do patrimônio cultural e ambiental da Costa Norte, abordando temas como memória, identidade, cultura caiçara, biodiversidade e pertencimento ao território. Alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o material trabalha os eixos de Memória, Identidade e Patrimônio, aproximando os estudantes das práticas que formam a cultura da comunidade.

A ação reforça o papel da escola e dos espaços de memória do Litoral Norte na preservação das tradições caiçaras, ligando o ensino formal ao conhecimento vivo dos mestres locais.