Tartaruga-de-couro em situação crítica escapa de equipe de resgate e desaparece nas águas de Ilhabela
Animal ameaçado de extinção apresentava dificuldade para se manter à tona; Instituto Argonauta emite alerta e orienta moradores sobre como agir em casos semelhantes
Uma tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), espécie classificada como ameaçada de extinção, voltou ao mar antes de ser capturada por uma equipe de resgate em Ilhabela. O animal apresentava dificuldades para se manter à superfície da água — sinal clínico que pode indicar debilidade física, doença ou ingestão de resíduos sólidos —, mas conseguiu mergulhar e sumir antes que os socorristas pudessem intervir.
O incidente foi registrado na última quinta-feira (19/6) e o Instituto Argonauta, organização referência em conservação marinha no Litoral Norte paulista, divulgou um alerta sobre a ocorrência. A entidade monitora encalhes e eventos de saúde em tartarugas marinhas na região e reforça a importância de acionar profissionais capacitados ao avistar um animal nessas condições.
Por que a tartaruga-de-couro é tão rara
A tartaruga-de-couro é a maior das sete espécies de tartarugas marinhas existentes e a única que não possui casco rígido — em seu lugar, um mosaico de ossos cobertos por uma pele resistente e oleosa. Pode atingir mais de dois metros de comprimento e chegar a 900 quilos. No Brasil, é considerada em perigo crítico de extinção, e avistamentos no Litoral Norte, embora ocasionais, representam momentos raros de aproximação com uma fauna que desafia séculos de pressão humana sobre os oceanos.
Diferentemente de espécies como a tartaruga-verde ou a cabeçuda, que frequentemente encalham nas praias do Litoral Norte, a tartaruga-de-couro dificilmente chega próxima da costa em boas condições de saúde. Quando isso ocorre, na maioria das vezes está debilitada.
O alerta do Instituto Argonauta
Após o episódio, o Instituto Argonauta reforçou orientações à população: ao avistar uma tartaruga marinha aparentando dificuldade de movimento, flutuação anormal ou comportamento letárgico, o correto é manter distância, não tentar empurrar o animal de volta ao mar por conta própria e acionar imediatamente o instituto ou órgãos de defesa animal. Intervenções sem preparo técnico podem estressar ainda mais o animal ou dificultar um eventual resgate posterior.
O instituto opera uma rede de monitoramento costeiro e atua em parceria com pescadores, banhistas e prefeituras do Litoral Norte para responder a eventos de encalhe e resgate de fauna marinha.
Contexto regional
Ilhabela, arquipélago com cerca de 85% de seu território coberto pela Mata Atlântica e inserido em área de proteção ambiental, é um dos pontos do Litoral Norte com maior diversidade de fauna marinha. A presença de tartarugas nas proximidades da ilha é registrada com frequência pelo Instituto Argonauta, especialmente durante os meses de inverno, quando correntes oceânicas mais frias trazem espécies pelágicas para perto da costa.
O episódio desta semana reforça a necessidade de vigilância contínua e da articulação entre moradores, turistas e instituições de conservação para garantir que animais debilitados recebam atendimento antes que sumam nas profundezas.