A tragédia envolvendo um grupo de mergulhadores italianos nas Maldivas chegou neste sábado (16) à sexta vítima, com a morte do mergulhador militar maldívio Mohamed Mahudhee durante a operação de recuperação dos corpos. Segundo autoridades locais, o militar sofreu doença descompressiva, condição grave associada à variação rápida de pressão em mergulhos profundos.

O acidente teve início na quinta-feira (14), quando cinco italianos desapareceram durante uma expedição a uma caverna submersa no Atol de Vaavu, em uma área conhecida como Shark Cave, a cerca de 50 metros de profundidade. Um dos corpos foi recuperado nos primeiros dias da operação, enquanto os outros quatro permaneciam no interior da caverna quando o militar perdeu a vida.

Quem são as vítimas

Entre os mergulhadores mortos estão a professora de ecologia Monica Montefalcone e sua filha, Giorgia Sommacal, além do biólogo marinho Federico Gualtieri, da pesquisadora Muriel Oddenino e do instrutor de mergulho Gianluca Benedetti. Parte do grupo estava nas Maldivas em uma missão científica, mas o mergulho em caverna foi conduzido como atividade privada.

Buscas suspensas e investigação

Após a morte do militar, as autoridades suspenderam temporariamente as buscas pelos corpos ainda no interior da caverna. A complexidade da operação combina grande profundidade, baixa visibilidade, ambiente confinado e condições adversas do mar, fatores que elevam o risco de novos acidentes.

As autoridades das Maldivas investigam ainda as circunstâncias do mergulho. Um dos pontos sob apuração é a indicação de que a atividade teria ocorrido além do limite recreativo de 30 metros permitido no país. A licença de operação da embarcação Duke of York, citada como ponto de partida do grupo, foi suspensa durante a apuração.

Alerta também para o Litoral Norte

Embora distante geograficamente, o caso ganha atenção em destinos brasileiros de mergulho, como o Litoral Norte paulista. Ilhabela, em especial, é considerada uma das principais regiões de mergulho do país, com naufrágios históricos, parcéis e formações rochosas que atraem praticantes do Brasil e do exterior, somando-se à oferta de operações em São Sebastião, Ubatuba e Caraguatatuba.

Especialistas reforçam que o mergulho técnico em cavernas submersas é uma modalidade distinta do mergulho recreativo e exige treinamento específico, equipamentos compatíveis, planejamento detalhado de gases e protocolos de emergência rigorosos. Limites de profundidade, certificações exigidas e checagem de licenças das operadoras são pontos centrais para a segurança de quem busca essas experiências, inclusive em águas do Litoral Norte.