A Defesa Civil de Ubatuba realizou na segunda-feira (5/10) uma vistoria técnica no Rio Indaiá, na região da Barra Seca, para apurar a alteração na cor da água relatada por moradores. Segundo o levantamento, a mancha de tom barrento tem origem em pontos do rio bem acima do trecho onde a Prefeitura executa o serviço de desassoreamento, na altura do núcleo Angelim.

Antes da inspeção de segunda, equipes já havian percorrido a área para ouvir moradores e lideranças da região. As vistorias passaram por bairros como Casanga, Taquaral e Fazenda do Cacau, e a conclusão registrada pelos agentes é que a água aparece alterada em alguns pontos, mas permanece límpida em vários outros locais.

Obra de desassoreamento foi afastada como causa

A primeira suspeita levantada pelos moradores era de que a alteração tivesse relação com a intervenção em curso no leito do rio. De acordo com a Defesa Civil, a vistoria afastou essa hipótese: o ponto de origem da lama está acima do local do serviço, e o trabalho é feito justamente para retirar areia do leito sem gerar esse tipo de efeito.

As equipes subiram o rio até a cota 95, limite do acesso por terra. A partir dessa checagem, a avaliação preliminar da engenharia é de que a coloração e o excesso de sedimentos possam resultar de um desprendimento natural ou erosivo de massa de saibro e de placas de barro em áreas mais altas, favorecido pelas condições da bacia. A hipótese ainda não está confirmada.

Sobrevoo com drone depende do tempo

Para tentar localizar a origem exata do material, a Defesa Civil afirma estar em contato com a Secretaria do Meio Ambiente para organizar um monitoramento aéreo com drone. O voo está condicionado à melhora das condições climáticas e não tem data definida.

"Para tirar qualquer dúvida e chegar à origem exata dessa lama, já estamos em contato com a Secretaria do Meio Ambiente para planejar um monitoramento aéreo com drone assim que o tempo firmar", disse o técnico da Defesa Civil Rafael Pinheiro.

Bacia do Indaiá já estava sob acompanhamento

A região não entrou agora no radar do município. Em 20 de setembro, a Defesa Civil iniciou uma série de ações de campo voltadas à prevenção de alagamentos na bacia hidrográfica do Rio Indaiá, incluindo levantamento da área com drone para subsidiar as intervenções previstas. Os trabalhos têm apoio da Secretaria de Habitação e integram a Operação Preparação para Eventos Climáticos.

O acompanhamento, segundo o órgão, tem sido feito em diálogo com a comunidade e com lideranças locais, entre elas moradores do entorno que atuam pela preservação do mangue. Quem notar mudanças no rio pode acionar a Defesa Civil municipal.

O que ainda não foi informado

  • A data em que começaram os primeiros relatos de moradores e quantas pessoas procuraram o órgão.
  • Resultado de análise laboratorial da água: até o momento não há laudo divulgado sobre o material em suspensão.
  • Não há, por parte do município, interdição, boletim ou recomendação oficial quanto ao uso da água do rio.

O caso é distinto do levantamento de balneabilidade divulgado para as praias de Ubatuba, que mede a qualidade da água do mar em pontos classificados como próprios ou impróprios para banho.