A Secretaria de Saúde de Ubatuba colocou em discussão pública o desenho da futura Clínica Municipal da Mulher e da Criança, unidade que pretende reunir em um mesmo endereço os atendimentos voltados à saúde feminina e ao acompanhamento materno-infantil. O estudo foi apresentado em audiência pública realizada em 27 de maio e integra a estratégia de reorganização da rede de atenção especializada do município.

Segundo a proposta, enquanto a área destinada à nova clínica não é liberada, o fluxo atual de referência e contrarreferência continua funcionando nas unidades já existentes. A ideia central é dar mais organização ao serviço, encurtar a fila para exames e procedimentos e ampliar a cobertura de programas preventivos que hoje estão pulverizados em diferentes pontos da rede municipal.

O que a clínica deve concentrar

O escopo apresentado prevê a manutenção das especialidades de ginecologia e obstetrícia, com destaque para o acompanhamento de pré-natal de alto risco. A proposta também aponta para a ampliação dos exames de mamografia e das ações de prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama, com foco na faixa etária de 50 a 69 anos — recorte considerado prioritário pelas políticas nacionais de rastreamento e que deve receber ações de busca ativa para mulheres com exames atrasados.

Outro eixo previsto é a expansão da coleta do exame citopatológico (Papanicolau) para o público dentro da faixa etária recomendada pelo Ministério da Saúde. As coletas seguem disponíveis em livre demanda nas unidades básicas, mas devem ganhar reforço dentro da nova estrutura especializada.

Diretrizes do SUS e contexto epidemiológico

A iniciativa segue parâmetros da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher e da Rede de Atenção Materna e Infantil, ambas costuradas entre Ministério da Saúde, estados e municípios. O modelo propõe integrar consultas, exames, acompanhamento preventivo e atenção especializada em um mesmo ponto, com potencial de reduzir o tempo entre suspeita clínica e diagnóstico.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tumor mais incidente entre mulheres no Brasil, enquanto o câncer do colo do útero segue entre os principais diagnósticos da rede pública. Levantamentos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do próprio INCA associam a ampliação da estrutura de rastreamento ao aumento na identificação de casos em estágios iniciais. A cobertura de mamografia entre brasileiras de 50 a 69 anos subiu de 82,8% em 2007 para 91,9% em 2024, segundo o Ministério da Saúde.

Referências e próximos passos

O estudo cita experiências de municípios como Barretos, Ceilândia, Patos, Arapongas, Humaitá, Japeri e Garanhuns, que registraram zeramento de filas para exames ginecológicos e diagnóstico de câncer de mama após a ampliação da oferta de serviços especializados. A expectativa da Prefeitura é que a clínica funcione como instrumento de descentralização — aproximando a atenção preventiva da rotina das moradoras — e como reforço ao cuidado contínuo de gestantes e crianças.

O movimento ocorre no mesmo ciclo em que o Litoral Norte recebe outras frentes de saúde da mulher: a Carreta da Saúde da Mulher entregue pelo governo federal em Caraguatatuba reservou 285 vagas para moradoras de Ubatuba em exames ginecológicos e rastreio de câncer de mama até 19 de junho, ampliando, no curto prazo, o acesso enquanto o projeto da clínica municipal avança no estudo de viabilidade.