Apae de Ubatuba transforma bitucas de cigarro em arte e reforça educação ambiental com economia circular
Programa Ubatuba Sem Bitucas já reciclou mais de meio milhão de resíduos desde março de 2025 e leva a prática às mãos de educadores da rede especial
Educadores da Apae de Ubatuba participaram de mais uma etapa de um workshop mensal que une criatividade e consciência ambiental: a produção de peças modeladas a partir de massa celulósica obtida pela reciclagem de bitucas de cigarro. A atividade, conduzida mensalmente por Paula Borges, é parte integrante do programa Ubatuba Sem Bitucas e já acumula resultados expressivos desde seu início.
Durante o encontro, os participantes puderam acompanhar de perto cada etapa da cadeia de transformação desse resíduo — da coleta nos coletores distribuídos pelo município ao tratamento e, finalmente, à geração de matéria-prima reutilizável. A proposta vai além do aspecto técnico: ao trabalhar com materiais descartados em praias, ruas e espaços públicos, o workshop estimula uma reflexão sobre hábitos cotidianos e o papel de cada cidadão na preservação do meio ambiente.
Bituca que virou produto
O princípio que guia a iniciativa é o da economia circular — isto é, manter materiais em uso pelo maior tempo possível, reduzindo o desperdício ao mínimo. A massa celulósica produzida a partir das bitucas recicladas se transforma em insumo para a criação de novos produtos artesanais, demonstrando na prática que o resíduo pode ter vida útil muito além do descarte no chão.
"A proposta é mostrar, de forma simples e aplicada, que a bituca de cigarro pode deixar de ser um problema ambiental quando passa por um processo adequado de coleta e reciclagem. O workshop permite que os educadores compreendam esse ciclo e conheçam formas de transformar a massa celulósica em novos produtos, fortalecendo a consciência ambiental e a economia circular", afirmou Tatiana Araújo, representante da Poiato Recicla, empresa parceira do programa.
Meio milhão de bitucas recicladas
Desde março de 2025, o programa já encaminhou para reciclagem mais de meio milhão de bitucas de cigarro recolhidas em Ubatuba. O número evidencia tanto a escala do descarte inadequado quanto o potencial de impacto quando há estrutura de coleta e engajamento comunitário.
Ao integrar a Apae como espaço de formação, a iniciativa amplia sua dimensão educativa: os educadores que participam dos workshops tornam-se multiplicadores dessa visão de sustentabilidade, podendo replicar o aprendizado junto às pessoas com deficiência atendidas pela instituição e às suas famílias.
O programa Ubatuba Sem Bitucas atua em frentes complementares — instalação de coletores, sensibilização de moradores e turistas, e ações de educação ambiental como esta — reforçando que a solução para problemas ambientais urbanos passa, necessariamente, pela combinação entre infraestrutura adequada e mudança cultural.