A instalação da Arena da Copa na Avenida Iperoig, em Ubatuba, voltou a colocar em pauta uma questão que não é exclusividade do município: a transparência nos gastos públicos ligados a grandes eventos. Com o Brasil em campo pela Copa do Mundo 2026, cidades do Litoral Norte investiram em estruturas de transmissão e entretenimento coletivo — e a prestação de contas dessas despesas tem sido cobrada pela sociedade civil local.

O evento em si encontra respaldo amplo entre moradores e comerciantes. O potencial de aquecimento do turismo e da economia local durante o torneio é reconhecido, e a arena na orla de Ubatuba faz parte de um movimento observado em municípios de todo o país para transformar a Copa em oportunidade de geração de renda e engajamento comunitário.

O ponto de tensão, porém, está no acesso às informações sobre como o dinheiro público foi aplicado. Detalhes sobre contratos firmados, identidade dos fornecedores e os valores exatos do orçamento destinado à estrutura não estão facilmente disponíveis nos canais oficiais de comunicação da prefeitura, o que abre espaço para especulações e alimenta desconfiança entre parte da população.

Transparência proativa como ferramenta de governança

Especialistas em administração pública distinguem dois modelos de comunicação institucional: o reativo, que divulga informações apenas quando pressionado por demandas formais ou cobertura jornalística, e o proativo, que antecipa a publicação de contratos, planilhas orçamentárias e dados de licitação antes mesmo de qualquer questionamento.

O modelo proativo tende a reduzir especulações, fortalecer a confiança e diminuir o volume de pedidos via Lei de Acesso à Informação (LAI). Em contextos onde o histórico institucional já foi marcado por irregularidades — como o caso de Ubatuba, que em 2023 foi alvo de operação da Polícia Federal por suspeitas em contratos de merenda escolar —, a clareza nos gastos passa a ter peso ainda maior para a credibilidade da gestão atual.

Contexto regional

O debate não é isolado. Ao longo do Litoral Norte, municípios como São Sebastião e Caraguatatuba também realizaram eventos públicos vinculados à Copa do Mundo 2026, com pontos de transmissão e atrações culturais. A expectativa de moradores e entidades civis é que os custos dessas iniciativas sejam detalhados nos portais de transparência municipais, permitindo o controle social sobre o uso de recursos públicos.

A transparência financeira, nesse sentido, não é apenas uma exigência legal prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal e na LAI — é também um instrumento de gestão que beneficia a própria administração, ao reduzir ruídos e demonstrar responsabilidade no trato com o erário.