São Sebastião aciona sirenes manualmente após falha no sistema nacional e alerta para risco de deslizamentos até sexta
Cemaden classifica município com risco moderado em áreas de encosta; volumes de até 101 mm são esperados na Costa Norte até o fim da semana
A Defesa Civil de São Sebastião elevou o nível de atenção da população nesta quarta-feira (25) diante de uma combinação climática preocupante: a chegada de uma frente fria associada a um sistema de baixa pressão instalou forte instabilidade sobre todo o Litoral Norte, com previsão de chuva persistente, rajadas de vento e raios até sexta-feira (27).
O agravante desta vez vai além das condições meteorológicas. O solo do município já está saturado pelas precipitações dos últimos dias, o que reduz drasticamente sua capacidade de absorção e eleva o risco de escorregamentos de terra em encostas. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) classificou São Sebastião com risco moderado para deslizamentos em áreas de morro e encosta.
Volumes críticos esperados por região
Os modelos meteorológicos apontam acumulados significativos nas próximas horas, distribuídos de forma desigual pelo território municipal:
- Costa Norte: até 101 mm
- Região Central: até 96 mm
- Costa Sul: até 93 mm
Historicamente, a Costa Sul registra os maiores volumes pluviométricos do município em razão da barreira natural formada pela Serra do Mar e da intensa umidade oceânica. Mesmo com projeção inferior desta vez, a saturação prévia do solo torna a região igualmente vulnerável.
Sirene acionada manualmente na Vila Sahy
Em procedimento de emergência, a Defesa Civil acionou manualmente a sirene de alerta instalada na Vila Sahy, localidade da Costa Sul que historicamente concentra maior vulnerabilidade a eventos extremos. A medida foi necessária porque o sistema nacional de alertas automáticos está temporariamente fora de operação após sofrer um ataque cibernético — situação que obriga as equipes locais a adotar protocolos manuais de comunicação com a população.
Equipes técnicas e agentes de campo intensificaram vistorias preventivas nas áreas consideradas de maior risco, com prioridade para a Vila Sahy e a Rua Antônio Tenório dos Santos, conhecida como Topolândia.
O que observar e como agir
A prefeitura orienta moradores de áreas de encosta a ficarem atentos a sinais que podem indicar instabilidade iminente do terreno:
- Rachaduras nas paredes de residências ou muros
- Água empoçando de forma incomum nos quintais
- Inclinação progressiva de árvores ou postes
- Ruídos estranhos vindos do solo ou das encostas
Ao identificar qualquer um desses sinais, a recomendação é abandonar o imóvel imediatamente e acionar a Defesa Civil pelo número 199. Não é necessário aguardar a sirene — a percepção de risco por parte do morador deve ser suficiente para acionar os protocolos de evacuação.