A campanha salarial dos servidores municipais de Taubaté segue sem solução à vista. Na segunda rodada de negociação com o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal, realizada na sexta-feira (22), a Prefeitura não apresentou proposta de reajuste, aumento do vale-alimentação ou criação do auxílio-transporte cobrados pela categoria. A administração argumenta que o atendimento integral da pauta representaria impacto superior a R$ 200 milhões por ano, valor que considera inviável diante de uma dívida municipal estimada em R$ 1 bilhão.

Com a ausência de oferta financeira, os trabalhadores mantêm o estado de greve aprovado em assembleia. A medida funciona como aviso formal de mobilização e pode preceder uma paralisação efetiva caso as conversas não avancem nas próximas semanas.

O que o sindicato pede

De acordo com a nota oficial divulgada pela Prefeitura, as reivindicações apresentadas pela categoria incluem itens salariais, benefícios e revisão de direitos historicamente acumulados. Entre os principais pontos estão:

  • Reposição inflacionária referente aos dois últimos exercícios;
  • Aumento do vale-alimentação de R$ 502,50 para R$ 830;
  • Criação de auxílio-transporte universal de R$ 563,04;
  • Quitação imediata de licença-prêmio acumulada;
  • Revisão da contribuição previdenciária de aposentados;
  • Retorno da base antiga de cálculo de insalubridade e periculosidade;
  • Vale-alimentação para servidores com duplo vínculo;
  • Pagamento de valores retroativos do chamado "descongela";
  • Pagamento de horas extras sem limitação.

Argumento fiscal da Prefeitura

A administração sustenta que o município atravessa uma "delicada situação fiscal" e que assumir os pleitos sem capacidade de pagamento colocaria em risco compromissos essenciais, como a folha em dia. Em comunicado, a Prefeitura diz agir com "responsabilidade fiscal e transparência" e afirma que o atendimento da pauta "somaria mais de R$ 200 milhões anuais".

Na primeira rodada, realizada na semana anterior, a gestão municipal assumiu compromissos administrativos e de gestão de pessoas, como combate ao assédio moral e organizacional, fornecimento de EPIs, elaboração de Plano de Gerenciamento de Riscos, modernização do RH, regularização de contratos de monitores escolares e novos concursos públicos. Esses pontos, porém, não tocam a discussão central sobre salários e benefícios.

Contraste com cidades do Vale e do Litoral Norte

O impasse em Taubaté ocorre em meio a um movimento de fechamento de campanhas salariais em cidades vizinhas. Em Caçapava, os servidores aprovaram reajuste de 4,39% e ticket-alimentação de R$ 1.000, encerrando a mobilização que também havia chegado ao estado de greve. Com isso, o município passou a liderar o ranking regional de vale-alimentação, à frente dos R$ 990 pagos a servidores de São Sebastião, no Litoral Norte.

A comparação ajuda a dimensionar a distância entre o que a categoria pede em Taubaté — vale de R$ 830 e auxílio-transporte de R$ 563,04 — e o cenário que se desenha em outras prefeituras da região, que avançaram em acordos mesmo em ambiente fiscal apertado.

Por que o tema interessa ao Litoral Norte

Embora o conflito esteja concentrado no Vale do Paraíba, Taubaté é uma das principais referências econômicas da região servida pela Rodovia dos Tamoios e funciona como polo de serviços públicos e privados acessados por moradores do Litoral Norte. Greves prolongadas em áreas como saúde, educação e administração podem afetar atendimentos buscados por quem desce a serra, além de servirem como termômetro para as próximas campanhas salariais nas prefeituras de Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela.

Os próximos passos dependem de uma nova convocação para a terceira rodada de negociação, ainda sem data confirmada. Até lá, a categoria permanece mobilizada e a administração mantém o discurso de que não há espaço financeiro para atender, neste momento, o conjunto da pauta apresentada.