Servidores de Taubaté aprovam greve e paralisação está marcada para 2 de junho
Categoria decidiu parar após duas rodadas de negociação sem acordo sobre a reposição inflacionária de 9,43%; Prefeitura anunciou apenas reajuste do vale-alimentação
Os servidores municipais de Taubaté aprovaram a deflagração de greve em assembleia realizada na noite de quinta-feira (28), em frente à Prefeitura. A paralisação, no entanto, só deve começar na próxima terça-feira (2 de junho), em razão dos prazos legais para comunicação formal do movimento à administração municipal. A decisão pode afetar serviços públicos da cidade caso não haja uma nova proposta antes da data.
A categoria já estava em estado de greve desde 15 de maio. A aprovação da paralisação ocorreu depois que duas rodadas de negociação entre o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal e a Prefeitura, nos dias 15 e 22 de maio, terminaram sem acordo sobre o reajuste salarial.
Reposição inflacionária é o centro do impasse
A principal reivindicação do sindicato é a reposição inflacionária de 9,43%, referente ao acumulado de 2025 e 2026. Segundo a entidade, em 2025 — primeiro ano da atual gestão — os servidores não tiveram revisão geral nos vencimentos. A data-base do funcionalismo municipal em Taubaté é maio.
De acordo com o sindicato, a recomposição da inflação é o ponto prioritário da pauta e, caso seja atendido, os demais pedidos poderiam ser tratados em negociações futuras. A entidade afirma que a Prefeitura não apresentou contraproposta financeira nas últimas reuniões e havia sugerido suspender as tratativas para retomá-las apenas em julho, o que foi rejeitado pela categoria.
Pauta reúne nove reivindicações
Além da reposição salarial, os servidores levam à mesa de negociação uma lista de nove itens:
- Reposição inflacionária de 9,43%, somando 2025 e 2026;
- Aumento do vale-alimentação de R$ 502,50 para R$ 830;
- Criação do auxílio-transporte no valor de R$ 563,04;
- Quitação imediata da licença-prêmio acumulada;
- Revisão da contribuição previdenciária de aposentados;
- Retorno da base de cálculo anterior dos adicionais de insalubridade e periculosidade;
- Vale-alimentação para duplo vínculo;
- Aplicação da Lei do Descongela, com quitação de valores não pagos na pandemia;
- Pagamento de horas extras sem limitação.
Prefeitura anuncia reajuste do vale-alimentação
Horas antes da assembleia que aprovou a greve, a Prefeitura de Taubaté informou que enviará à Câmara um projeto de lei para aumentar o vale-alimentação dos servidores. Pela proposta, o benefício passaria dos atuais R$ 502,50 para R$ 844,56 mensais, a partir de setembro deste ano.
Segundo a administração municipal, o impacto financeiro estimado seria de cerca de R$ 9,16 milhões na folha anual de 2026 e de aproximadamente R$ 27,5 milhões ao longo de 2027. Para a categoria, contudo, o reajuste do benefício não substitui a revisão dos salários, que segue sem acordo.
Repercussão no Vale do Paraíba e no Litoral Norte
O movimento em Taubaté contrasta com acordos salariais recentes fechados em outras cidades da região, como Caçapava e São Sebastião, no Litoral Norte. A negociação na maior cidade do Vale do Paraíba é acompanhada de perto por servidores e gestores de municípios vizinhos, já que define parâmetros para campanhas salariais em curso em toda a região, conectada ao Litoral Norte pela Rodovia dos Tamoios.